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Roteiros de afetos

Diferentes são as maneiras de habitar uma cidade. Muitas, as formas de interpretá-la. Nascida como proposta urbana de perspectivas arrojadas, a capital brasileira permanece incompreendida – política, histórica e culturalmente. Brasília aos 50 anos. Que cidade é essa? faz-se da pretensão de apresentar vários olhares sobre a cidade surgida da prancheta e construída ao longo de cinco décadas pelo esforço de seus habitantes. Do mapa à cartografia, cidades são roteiros de afetos, e a Brasília que emerge neste livro é assim: plural, complexa e contraditória, símbolo e exceção.

Foto: Ricardo Labastier

Foto: Ricardo Labastier

Somos gratas aos autores que aceitaram o convite para discutir o que significa viver nessa cidade que, desde sua origem, excedeu o espaço planejado dos croquis para ser local em que pessoas buscam construir identidades. Durante meses, dialogamos sobre como viam a cidade; quais sentidos atribuíam a ela; como foi crescer e ser criado em um mundo em construção; qual a importância do Estado e da economia nas relações que se estabelecem entre seus habitantes; o que ela representa para o futuro do país; como se desenha o perfil de sua elite política; de que modo o poder define comportamentos e, claro, como a arquitetura interfere em nossos corpos e sentimentos.

No meio desse percurso nutrido por visões tão diversas, veio à tona a mais avassaladora crise política e institucional da história da capital. O horror instalado deu origem a um capítulo especial – e muitos outros textos também elaboraram a questão. As práticas predatórias e perversas denunciadas não alteraram o fio condutor do livro, que se apresenta com título inspirado na inquietação cantada por seu maior poeta, Renato Russo.

Há nesta obra um sentido crítico e amoroso que, como a própria construção da cidade, se dá no prazer do trabalho coletivo. Fazem-se presentes jornalistas, acadêmicos, artistas gráficos e fotógrafos, gente daqui.

Beth Cataldo e Graça Ramos

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