Livro discute as múltiplas faces da capital brasileira

Um livro independente e crítico sobre Brasília, mas também capaz de lançar um olhar amoroso e reflexivo sobre a capital brasileira e seu futuro. Assim é Brasília aos 50 anos. Que cidade é essa?, que chega ao público no mês em que a cidade completa seu cinquentenário. A crise política devastadora que envergonha seus habitantes está contemplada neste livro, que não se limita, no entanto, a enxergar Brasília pelo viés do poder. Suas múltiplas facetas, da cultura à economia, da história aos personagens que a construíram, estão retratadas nos textos e fotos que compõem a publicação.

A coletânea de ensaios de 14 autores publicada pela Tema Editorial foi organizada pelas jornalistas Beth Cataldo e Graça Ramos, que contaram com um projeto gráfico inovador de Chico Amaral e a maneira especial de enxergar a cidade do fotógrafo Ricardo Labastier. Os textos levam a assinatura de Andrea Jubé Vianna, Conceição Freitas, Gustavo Lins Ribeiro, José Rezende Jr., Leonardo Barreto, Mara Bergamaschi, Marco André Schwarzstein, Marcos Magalhães, Mauro Santayana, Ricardo Caldas, Ruy Fabiano e Sérgio de Sá.

 Foto: Ricardo Labastier

Na apresentação do livro, as organizadoras partilham sua abordagem sobre o tema: “Nascida como proposta urbana de perspectivas arrojadas, a capital brasileira permanece incompreendida – política, histórica e culturalmente. Brasília aos 50 anos. Que cidade é essa? faz-se da pretensão de apresentar vários olhares sobre a cidade surgida da prancheta e construída ao longo de cinco décadas pelo esforço de seus habitantes. Do mapa à cartografia, cidades são roteiros de afetos, e a Brasília que emerge neste livro é assim: plural, complexa e contraditória, símbolo e exceção.”

As denúncias de corrupção que constrangem a cidade, justo no marco de meio século de existência, mereceram um capítulo especial no livro. “Visões do horror” reúne dois textos que tratam diretamente do assunto, embora as reflexões sobre os episódios denunciados permeiem outros ensaios do livro. O leitor poderá também contar com ângulos que avaliam a identidade cultural da cidade ou que retratam a experiência dos que acompanharam, ainda na infância, a trajetória surpreendente da capital inventada por Juscelino Kubitscheck e os pioneiros.

Logo no texto de abertura, o estranhamento provocado por Brasília naqueles que a conhecem pela primeira vez inspira evocações familiares a muitos de seus moradores, vindos de todos os lugares do Brasil. Como observou Lígia Cademartori, que escreveu sobre o livro, a cidade continua, 50 anos depois de inaugurada, perturbadora e desafiante. “Cidade-esfinge?”, pergunta. “Pois o leitor não será devorado”, responde a própria Lígia.

No prefácio, Rubem Azevedo Lima notou como traço comum nos autores a convicção de que é possível fazer as instituições funcionarem melhor, “para o bem estar ético, político, econômico, jurídico e social dos brasileiros e brasilienses”.  Ele acrescenta que “não há por que duvidar disso”. De fato, o que anima os autores é claramente a preocupação em discutir a cidade, encontrar suas razões e descaminhos, apontar saídas e ideias para cumprir o seu destino. Afinal, é o Brasil todo que passa pelo Planalto Central.



 

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